| Mazagão |
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| Escrito por Alipio Junior |
| Ter, 02 de Setembro de 2008 08:51 |
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Data de Criação: Nº 226, de 28 de novembro de 1890 Distância da capital: 36 km Limites: Norte: Amapari, Porto Grande e Santana, Sul: Vitória do Jari, Leste: Santana e Rio Amazonas, Oeste: Laranjal do Jari Área do Município: 13.131KM² População(IBGE 2000): Total: 11.989 habitantes - Homens: 6.317 / Mulheres: 5.669 Urbana: 5.972/ Rural: 6.014 Densidade Demográfica: 0,91 Habitantes por KM²; Transporte: Aéreo, Rodoviário e fluvial; Comunidades principais: Mazagão (sede), Carvão e Mazagão Velho Política Prefeitura Municipal de Mazagão Eleitores: 9.018 Prefeito: JOSE CARLOS CORREA DE CARVALHO (PDT) Vereadores (9):
Mazagão foi elevado à categoria de município em 28 de novembro de 1890. Sua origem remonta à história do povoado de Mazagão Velho, fundado em 1770 para abrigar 163 famílias portuguesas vindas da África, fugindo da guerra entre cristãos e mouros. Ainda nesse mesmo ano, deu-se origem à festa de São Tiago, para reviver a batalha entre portugueses e muçulmanos. Atualmente, a sede do município é a cidade de Mazagão Novo, a 35 km da capital do Estado. A base produtiva do município é representada principalmente pela agropecuária e o extrativismo vegetal e mineral, de ouro e argila. Atrações turísticas Festa de São Tiago Realizada de 24 a 25 de julho, procura reproduzir a luta entre mouros e cristãos na África. Segundo a lenda, o próprio São Tiago teria aparecido na forma de um soldado anônimo, participando da batalha. A guerra religiosa se prolongou por dias, com grande vantagem para os portugueses. Os mulçumanos, liderados pelo rei Caldeira, imaginaram então um estratagema: pedir o fim da guerra e entregar aos chefes cristãos, como presente, comidas envenenadas.Os lusitanos, entretanto, perceberam a cilada e jogaram parte da comida na granja onde ficavam os animais dos mouros. À noite, os mouros deram um baile de máscaras para que os cristãos que quisessem mudar de lado o fizessem sem ser reconhecidos pelos seus superiores. Os cristãos compareceram à festa mascarados e distribuíram a comida envenenada para os mouros. Como resultado, até o rei Caldeira acabou morto. Esse e outros episódios da guerra entre cristãos e muçulmanos são lembrados todo ano na festa de São Tiago através de representações. Embora a festa comece no dia 16 de julho e termine dia 27, o movimento maior acontece nos dia 24 e 25. Nos dias 26 e 27 é a vez das crianças teatralizarem o episódio, montadas em cavalinhos de miriti.
HISTÓRICO Américo Vespúcio, no ano de 1499, participando da expedição de Alonso de Hojeda, sob as ordens dos reis católicos da Espanha, Fernando e Isabel (Castela e Aragão), percorreu o litoral amapaense, conforme documenta a carta escrita por esse navegador. Neste documento histórico, ele narra sua passagem, quando atravessou com sua expedição, a linha do equador, passando pelas ilhas da Caviana, dos Porcos e do Pará, em frente ao Município de Mazagão. De acordo com registros realizados em Londres, os anglo-saxãos deram os primeiros passos à conquista e colonização da rica área do Cajary. Localidade próspera em riquezas minerais (petróleo, xisto betuminoso, etc.), até hoje não exploradas, apesar de haverem sido realizadas pesquisas naquele local, pelo alemão Fritz Ackerman, que lá esteve a serviço do Território do Amapá, durante os últimos anos da década de 40 e os primeiros anos da década de 50. Devido conflitos religiosos entre portugueses, cristãos e árabes muçulmanos, em 10 de março de 1769, D. José I, rei de Portugal desativou a cidade de Mazagão para território marroquino e o destino de muitas famílias foi a Tucujulândia, precisamente, a atual Mazagão. A prosperidade da nova Mazagão teve , entretanto, uma vida curta. Em 1781, uma epidemia de cólera alastrou-se na região, matando dezenas de mazaganenses, o que prejudicou grandiosamente a economia do município. Em 1833, Mazagão desce à categoria de Vila, isto é, retornando à condição de povoado, passando por um período dito de "Regeneração". Sua jurisdição administrativa ficou, portanto, subordinada ao município de Macapá. Em Mazagão Velho - que naquele momento havia regredido em sua condição - a reação à Cabanagem foi comandada pelo capitão João Ferreira Nóbrega e pelo juiz de Direito Gomes da Penha, o qual organizaram uma força de 400 homens para o embate. Os primeiros habitantes de Mazagão foram: 136 famílias brancas e 103 escravos, que se transformaram nos primeiros agricultores dessa região. Os habitantes de Mazagão ainda procuram preservar, tanto na igreja quanto consigo ( em suas próprias casas), o que restou da cultura que legaram dos negros oriundos do Norte da África nos séculos XVII e XVIII. Guardam imagens de madeira e de marfim com adornos de ouro e prata; diversos outros objetos como castiçais, cálices, crucifixos, coroas de prata etc. Por mais que tentem preservar, muitas imagens encontram-se em estado de deterioração. As poucas restauradas, foram reparadas sem a técnica e os materiais apropriados. Por outro lado, grande parte do acervo foi perdida, porque alguns moradores que não pertenciam à comunidade e muitas vezes desenformados, trocaram imagens autênticas da Igreja por outras fabricadas em gesso. Somente em 1981, o governo do Amapá tomou providências através de decretos proibindo a venda de imagens, bem como, a retirada destas do Distrito. AS MISTERIOSAS RUÍNAS DO RIO MARACÁ No município de Mazagão, no igarapé do algo do rio Maracá, precisamente em um igarapé denominado Fortaleza, existem ruínas de uma possível fortificação, cujos vestígios constituem-se em mistério. Apresenta-se como uma grande vala pouco funda coberta pelo musgo e outras plantas. É um enigma que continua desafiando os pesquisadores. Em uma coisa os teóricos são unânimes em afirmar: não fora, o forte, obra dos holandeses e ingleses que por aqui passaram, tanto menos dos portugueses, pois pela sua possível localização, nada representaria como estratégia de defesa. Além do mais, estes inovadores das terras amapaenses teriam deixados rastros, já que só construíram um forte em função da ocupação e como ponto estratégico de ataque , só o abandonado em seguida, como o fizeram durante o século XVII. A MAZAGÃO AFRICANA Situada ao Norte da África, na área geográfica onde estão localizados os reinos do Marrocos e Maritânia, havia uma querela entre os portugueses, cristãos e árabes muçulmanos. A MAZAGÃO AMAZÔNICA Desativada a cidade de Mazagão na África pela carta régia de 10 de março de 1769, decretada pelo rei D. José I, o Marquês de Pombal toma as providências necessárias para transferir as 340 famílias portuguesas sediadas no último reduto lusitano. FUNDAÇÃO DA ATUAL MAZAGÃO NOVO A antiga cidade de Mazagão Amazônica, apesar do grande prestígio que gozou no início de sua povoação, não logrou o mesmo êxito, principalmente a partir dos últimos anos do século passado, tendo até mesmo sido rebaixada à antiga categoria de povoado. Fonte: Livro Amapá em pespectiva, Editora Valcan GEOGRAFIA Aspectos Naturais A fisiografia desse município destaca a contribuição das bacias hidrográficas do rios Jari, Cajari, Tambaqui, Ariramba, Ajuruxi, Maracá-Pucu, Mazagão, Rio Preto e Vila Nova e a presença de dois domínios naturais: domínio da floresta densa de terra firme e domínio das áreas inundáveis. Domínio da floresta densa de terra firme com uma área aproximada de 10.357,16 km2 . Nesse domínio, sobressaem as tipologias de floresta densa de baixos platôs e submontanas, em proporções equivalentes. Outras características desse domínio natural: - riqueza em essências madeiráveis (maçaranduba, acapu, angelins, louros etc), resiníferas (breus, jatobás), oleaginosas (copaíba, bacaba, virolas etc), laticíferas (sorvas, maçarandubas), fibrosas (cipó-titica, envireiras, timbó-açu, imbé), medicinais (amapá doce e amargo) e frutíferas (piquiá, bacabas); - baixa fertilidade natural dos solos; - freqüência de castanha-do-brasil. Domínio das áreas inundáveis ocupando aproximadamente 1.157,84 km2. Nesse domínio, destacam-se os campos inundáveis e florestas de várzea. Outras características desse domínio natural: - flora graminóide dos campos inundáveis composta de espécies de alto valor forrageiro e elevada resistência natural, sendo, por conseguinte, o principal suporte da pecuária extensiva do município; - riqueza de ambientes flúvio-lacustres que podem ser tomados como indicadores para a introdução de manejo de espécies silvestres; - fauna flúvio-lacustre altamente especializada, destacando-se os estoques naturais de capivara, jacarés, aves migratórias e residentes, quelônios e peixes comerciais; - planície inundável com solos eminentemente eutróficos; - riqueza de essências econômicas da floresta de várzea com destaque para a freqüência de açaí, seringueira, andiroba e buriti, dentre outras; - alta vulnerabilidade à erosão natural, à inundação pluvial e por marés, impedimentos à drenagem e susceptibilidade dos campos à seca. Outras condições particulares do município: - presença de unidades geológicas com vocação mineral, representadas pelas seqüências tipo Greenstone Belt, destacando-se as jazidas de ouro e cromo pertencnetes ao distrito Cromitífero do Bacuri e depósito de cromo na Área Cromitífera do Igarapé do Breu; - presença de seqüências latossólicas/podzólicas, em relevo suave ondulado, indicadas para práticas agroflorestais; - seqüências localizadas de relevo acidentado. Localização: Mazagão fica à margem direita do rio Vila Nova, ao sul do Estado do Amapá. Limites: O município faz limites com os municípios de Santana, Porto Grande, Pedra Branca do Amapari, Laranjal do Jari e Vitória do Jari. Divisão política: Obedece à seguinte divisão: Mazagão Velho e Carvão. Precipitação: O período chuvoso vai de janeiro a julho. A temperatura máxima é de 38ºC e a mínima de 22ºC. Divisão Fisiográficas: O relevo do município é constituído por: Serra do Iratapuru, Planície de Terra e área de Igapó. A vegetação caracteriza-se por matas densas, arbustos e campos alagados. Hidrografia : Os principais rios são: rio Camaipi ( da Vila Nova), Camaipi do Maracá, Rio Preto, Maracapucu, Cajari, Vila Nova do Anauerapucu, Iratacupu, além de igarapés como: Tambaqui, Pedreiro e Ajudante. Economia: Sua economia no setor primário está representada pela criação de gado bovino, bubalino, suíno, caprino e eqüino; avicultura e pesca. São relevantes também as culturas de : feijão, milho, batata-doce, banana, arroz, café, cana-de-açúcar, cacau, côco-da-baía, laranja, fumo, abacaxi, mandioca e pimenta do reino. No setor extrativista são importantes a cultura de castanha-do-Brasil, a extração de madeira para a fabricação do carvão e de móveis e, ainda, a extração do látex da seringueira, comercializada fora do estado. A pesca do pirarucu e do tucunaré são bastante praticadas. Quanto ao setor secundário, a extração e fabricação de palmitos de açaí, algumas serrarias e as fábricas de tijolos também merecem registro. Mas o município de Mazagão possui outras riquezas: ferro, outro, cromita, cassiterita, diamante e columbita. A borracha-do-Brasil, as sementes oleaginosas, a madeira de lei e os animais silvestres, fazem o diferencial do lugar. Mazagão possui ainda uma usina de beneficiamento de arroz. No setor terciário, pequenos comércios ( mercearias), alguns bares e o salário do funcionalismo público, complementam a economia. Saúde: A comunidade conta com atendimento do serviço público do estado e com o apoio da Prefeitura municipal, embora os postos funcionem em precárias condições. Saneamento: A maioria dos habitantes não é beneficiada pelo sistema de abastecimento de água tratada. A coleta de lixo domiciliar é bastante precária, o que tem contribuído para a disseminação de doenças no local. A população dispõe, contudo, de serviços de energia elétrica durante 24 horas. Educação: Mazagão possui educandários que oferecem do ensino elementar ( pré-escolar) ao magistério. Todavia, como de praxe nos outros municípios do Estado, Mazagão também não dispõe de uma educação que se encaixe nos padrões ideais de ensino. Comunicação: Os meios de comunicação mais importantes são: televisão, rádio e agência dos correios. Fonte: Livro Amapá em pespectiva, Editora Valcan |